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sábado, 5 de maio de 2018

Verum, sine mendatio, certum et verissimum




Assim como é em cima é embaixo...Essa é a primeira máxima da Tábua da Esmeralda que  a maioria dos ocultistas já passou pelo menos o olho. Eu nunca dei muita bola até que um dia tudo fez sentido. A gente estuda, estuda e esquece de aplicar o que estuda na vida cotidiana, achando infantilmente que pode transformar a vida numa mundo cheio de efeitos especiais, esquecendo que as coisas acontecem de fato,  num nível mais sutil. Sim, às vezes eu me comporto dessa maneira idiota!

E assim como é fora é dentro, ouso dizer e é nesse ponto que eu me pego pensando há semanas. Passei muito tempo me preocupando com as idas e vindas do plano astral, habilidade que não me é plena ainda. Agora indago a mim mesma: de que adianta querer essa habilidade se meu mundo físico anda bem bosta? Não entendo nada de alquimia mas, me parece que eu preciso transformar o denso em algo sutil e se tenho matéria prima ruim o resultado final só pode ser ruim. Os alquimistas me perdoem se eu estiver falando besteira,ok?

Posto isto, resolvi cuidar do meu físico e esperar que de alguma maneira com o passar do tempo, o meu sutil seja de uma qualidade melhor. Andar no caminho da espiritualidade é passar por muitas ciladas e quando se está só , a coisa é bem mais complicada pois não temos a quem recorrer ( ok, nunca se está totalmente só,eu sei ). Acho que a maior cilada de todas é a cilada do ego, aquela parte da gente que nos cegas se não é bem trabalhada e conhecida. E o meu orgulho foi aquela pimenta forte nessa cilada toda!

Tudo aquilo que resolvi deixar de lado por achar bobeira, passa aos poucos, a fazer parte da minha vida. E é difícil!! Se eu pensar como os egípcios, essa mudança de comportamento é chamado de alimentar o Ka, ou dar força à minha energia vital. Eu sou muito mental e passei muito tempo dentro do mundo acadêmico somente alimentando (ou pelo menos tentando) o meu cérebro. Chegou um momento que isso não me dava mais prazer. Aliás, é o meu momento atual. Cérebro cansado, corpo destruído e esquecido. (olhe o post anterior). O que fazer?

Eu sou mulher e havia esquecido disso. Eu sou um ser vivo e havia esquecido disso. Senti-me na verdade como o autômato do filme a Invenção de Hugo Cabret. Agora preciso fazer meu sangue voltar a circular pelas veias do resto do meu corpo. Experimentei no espirito o veneno de estar em desequilíbrio e ele é amargo.

Resolvi pegar o caminho o que está fora está dentro. Chegou a hora de ficar bem com o externo que foi evitado sistematicamente por um bom tempo. A gente pensa que saiu do ranço cristão até se deparar com coisas vinda dele , coisa do tipo evitar a vaidade em nome de outras coisas mais sublimes. Balela!!! O corpo e a vaidade são bons sim! Corpo são, mente sã, os gregos estavam certos muito antes da era cristão inventar besteiras para nos anular!

Primeira providencia simples, mas eficaz: maquiagem. Bobo ,né? É...eu sei . Eu gosto de ter os olhos pintados, confesso. Nem sei se combina e eu não ligo muito para combinações. Eu gosto e é isso. Com filho, horários a cumprir, sono acumulado nem sei quanto tempo, calor infernal, pressa, pressa, pressa.... acabei deixando esse item pegando mofo dentro do armário. Lembrei de antigos votos feitos, lembrei que pintamos nossos rostos e corpos desde tempos antigos e que isso tem um significado de poder. Poder,por que não? É um ato simbólico que me lembra e me faz externar aquilo que tenho de melhor e mais bonito, é uma vestimenta que me trás poder, acho que é o equivalente a quem usa roupas pretas para se achar poderosa. Enfim, é algo que me faz bem. Entenda: não é aquela maquiagem que estamos vendo por aí, carregada, com várias camadas, exagerando ao extremo o que já temos de melhor. É uma maquiagem leve, que acentua algo que eu gosto e que me faz ter consciência de uma parte de mim que precisa viver.

Esse simples ato já faz minha coluna ficar ereta. Lembrando que meu caminho é dentro do kemetismo, então olhos pintados de preto são parte da imagética sacerdotal e da celebração, assim como jóias e vestimentas. O que faz todo o sentido para o objetivo que quero alcançar.

segunda-feira, 30 de abril de 2018

Ela é forte.E esse é o problema




Um dia me olhei no espelho e me assustei. Olhos tristes, corpo cansado, mente saturada. A vida me deu um porrada muito forte em 2017 , eu caí e lá fiquei. Acho que foi ali que entrei no modo automático de viver. Mas o espelho não mente e lá estava refletida toda a minha verdade. Eu estava (e ainda estou ) cansada. Olhar-se e não se reconhecer,  perguntar  onde estamos e adquirir forças para a busca. A gente sabe que precisa fazer algo para si, mas às vezes não sabemos por onde começar. Eu admiti que não estava tão bem quanto eu imaginava, conversei com pessoas queridas, tive apoio e fiz o duro trabalho de aceitar que preciso e devo contar com ajuda nessa jornada de volta a mim mesma. Não é fácil mas, é possível quando se tem uma rede de apoio.

Por que é tão difícil:

  1.  Reconhecer que estamos exaustos?
  2.  Pedir ajuda?

Existe um ponto absurdamente dolorido, mas muito positivo nisso tudo: eu precisei muitas vezes engolir o meu orgulho e aceitar ajuda. Precisei calar e ouvir sem transformar a conversa num embate no qual eu teria que ser vencedora. Dói e quem é orgulhoso vai me entender!

Considero esse momento como o meu primeiro passo para uma jornada de cura. No fundo eu sei que ela é necessária até mesmo para a minha volta ao caminho mágico. E também reconheço algumas paradas obrigatórias desse caminho. No fundo a gente “sabe”. E agora eu reúno velhas e novas ferramentas de trabalho.

Numa dessas zapeadas sem compromisso pela internet encontrei uma dica de jornada com o tarô, peguei-a, adaptei para o meu jeito e comecei e brincar novamente com as minhas cartas. É como ter o sangue voltando a bombear o coração, o tarô é ferramenta e caminho de cura! Comecei a pensar no que deixei para trás e no que posso recuperar e adaptar. Quando não entendo, amigas tarólogas me dão a mão e seguimos. Amigos são como as tochas de Hécate. Ponto para mim que aceitei ferramentas de ajuda!

Com todos os trancos acadêmicos que passei mais o problema que tenho que carregar, meu cérebro adquiriu um modo seguro de agir e eu entrei no automático. Eu deixei de ter empatia comigo mesma. O meu eu verdadeiro (sempre sábio) grita por vida e isso causa várias panes no meu sistema. Uma luta entre o dever e o querer. Fiz um acordo comigo mesma: termino (bem ou mal) a minha graduação nos próximos meses, continuo cuidando daquilo que não posso abrir mão e vou fazer por mim aquilo que precisa ser feito.

Percebi que fazia tudo com pressa para poder dar conta , obviamente sem conseguir. Com isso deixei de fazer coisas que gostava, sempre dando desculpas, sempre colocando o viver em último lugar. Eu me privei de tudo. E se alguém me perguntar, racionalmente eu não sei responder. Talvez nos próximos anos de terapia... Comecei a me esconder e a crosta que criei foi tão forte que veio para o exterior: engordei. Ok, sempre fui gorda, mas engordei mais . Ai outro sininho tocou dentro de mim: a saúde não estava bem. Ir ao médico é um porre pq eles são uma classe que por si só vive no automático. Mas, não posso abrir mão desse cuidado e em paralelo tenho buscado alternativas. Não, eu não vou falar de emagrecimento! Comigo as coisas acontecem no profundo e não no raso.

Busquei pelo movimento Body Positive que eu sabia bem por baixo do que se tratava até então. Na verdade eu quero entender o que é aceitação de si de maneira ampla, mas sem discursos chatos porque eu me entedio fácil e tive uma bela surpresa com os canais do Brasil. Pessoas divertidas, falando sobre si sem pieguismo e sem discursos de super pessoas que encaram tudo sem medo. Vida real para pessoas reais.

Esse é um processo que vai ficar para outra postagem .

O ponto aqui é que eu finalmente consegui me abrir mais um pouquinho para o mundo e para os meus. Inclusive,esse post confuso é parte do processo. É tudo novo. É como aprender a andar. É uma nova linguagem onde eu mais erro do que acerto. É como largar um vício. Se você está numa fase desse tipo , se permita e segue em frente. Pede ajuda profissional, aceite a mão dos amigos e pessoas queridas. Vai dar certo.Confia!


quarta-feira, 21 de março de 2018

A colheita


Equinócio de Outono -2018

Esse ritual teve dois atos.

1º ato

Foto pessoal


Eu espero o outono como uma criança espera o Natal. Eu e ele somos amigos de longa data e sempre que lembro do inicio do meu caminhar, é nessa estação que minhas lembranças residem. A sensação daquele ventinho timidamente gelado que dura poucos segundo, é esperada com paixão todos os anos. E quando ele chega, traz em si as palavras há muito sussurradas pelos antigos.

É época de cuidar da casa e de tudo o que se relaciona com ela e como estou numa vibe bem caseira, coloquei as mãos á obra. Preparei o meu lugar de poder, pensei ações para serem executadas durante esse período, troquei impressões com as amigas bruxas.  

A noite caiu, o cheiro de canela permeou meu lar, o material foi colocado a postos, os banhos foram tomados. Todos em casa dormiam e eu fui cuidar daquilo que tem que ser feito. Sem pedidos, fiz um grande balanço de tudo o que colhi nos últimos tempos. Nesses momentos me dou conta do quanto a minha vida é especial, rica, graciosa. Mesmo os momentos difíceis que passo, esses calos na alma; me fazem querer agradecer essa mulher que me tornei/torno a cada curva do caminho. Eu lutei muito para ser essa que sou e tenho lutado cada dia mais e principalmente contra mim mesma, portanto  perceber em dias de maré , o meu poder é algo que ainda me enche de maravilhamento. E não é isso que artistas precisam para viver? O que seria de mim sem o maravilhamento que as coisas em causam! E me dar esse olhar é tão incrível que não dá para resumir num pequeno texto como esse.

Cheiros, músicas, agradecimentos, energias.

Velas acesas, agradecimentos feitos. Fico a mirar as chamas dançando e deixando a luz me levar em seu colo.

2º ato

De repente, meu filho aparece com seus passinhos de meia e fica encantado com as muitas velas acesas e outras tantas em cima da mesa. Conta e entende que aquelas eram para as pessoas da casa. Só que ele detectou dois problemas muito sérios e foi solene em suas colocações: os cachorros moram aqui e não tem velas pra eles! E precisamos acender uma vela na rua ( na rua!!!) para as pessoas não ficaram doentes.

A vela negociada.Na rua não pode,ok?- Foto pessoal


Tivemos um momento de conversa onde tive que me abrir para negociações referentes às velas. Depois perguntei se ele queria saber como era o processo de acendê-las, que era um pouco diferente das velas de aniversário. Ele se mostrou muito disposto a aprender e assim foi. Ensinei de maneira que sua mente de 5 anos pudesse compreender, inclusive normas de segurança. Tudo feito, ele me chamou para uma conversa e ficamos sentados conversando até nem sei que horas.

Foi a primeira vez que ele participa ativamente de um ritual, mesmo que o final dele. Não o educo dentro da minha fé (que é a do pai também), pois pensamos que crianças precisam saber quem são e como agir no mundo ,então fé e espiritualidade nunca foi um norte por aqui. Não diretamente. Não há deuses, há os elementos, a lua que o lugar onde os mortos vivem (!!) e o rei sol pai das estrelas. Ele cria sua mitologia e elas viram histórias.

Confesso que meu coração se aqueceu absurdamente com a atitude dele, mas fiquei atenta aos significados que ele trazia para mim. Aquele par de olhos de obsidiana são atentos e aquele coração de cristal sente mais do mundo do que eu posso imaginar. Ele se apresenta a mim aos poucos e eu o aceito o que ele me oferta. E assim vãos construindo uma relação que vai além de rótulos.

Foi o ritual mais lindo de toda a minha vida! Eu colhi beleza através do meu filho, a melhor colheira do mundo!

segunda-feira, 19 de março de 2018

(Re) Aprender




Eu tenho meditado de uma maneira muito minha. Não é nada programado, mas é algo que preciso que se torne um hábito. Geralmente antes de dormir tento limpar meus pensamentos com aquela técnica bem bobinha de deixar ir num barquinho aqueles pensamentos perturbadores, sabe como? E dar atenção plena àqueles pensamentos que realmente valem a pena. E é como uma luzinha acesa piscando “AQUI! AQUI!” E com isso vou tentando organizar esse turbilhão que há dentro de mim. Percebo que vou revisitando e revisando antigas ideias, daquelas que eu já havia dado como mortas.

Nasci e cresci dentro de uma família kardecista de longa data, família que se interessava por fenômenos sobrenaturais de diversas formas e que alguns levaram o estudo e prática adiante. Quando eu nasci a coisa toda já estava meio esquecida então só participei da teoria das coisas. Sempre ouvi, mas me colocaram tanto medo e distanciamento que ou eu achava chato ou eu tinha medo. Quando cresci joguei tudo fora e descartei toda e qualquer possibilidade de estudo do kardecismo, birra mesmo. Normal quando se está buscando a própria identidade!

Pois bem, eis que me deparo vendo vídeos em canais do YouTube  onde os conceitos aprendidos outrora são expostos de maneira mais moderna e objetiva, sem perder a ideia central. E percebi ( Ohh descobri a pólvora,heim?) que esses conceitos estão comigo o tempo todo, mesmo eu os negando. Enfim, cresci e aceitei que a base que meu pai me deu ainda está aqui um pouco mais polida e com uma identidade além da dele.

Mas por que essa escrita de hoje?

Para eu não me esquecer de rir de mim mesma!!! Ah, quem não teve a soberba do ego achando que estava fazendo algo novo e diferenciado? E aí caímos na realidade que nos diz: “ Então queridinha, vc tá fazendo o mesmo que seus antepassados, só que com uma nova roupagem, viu? Baixa essa bola aí e continua andando! ”

Quando a gente sai do estado de negação e passa para o estágio da aceitação ( mas não a aceitação passiva e submissa, heim?) consegue trabalhar melhor com as ferramentas do ofício, seja ele qual for!
E se eu fechar os olhos posso ouvir a gargalhada do meu pai, aquela gargalhada boa que sacudia ele todinho!

terça-feira, 6 de março de 2018

A voz


I am the Voice in the wind and the pouring rain,

I am the Voice of your hunger and pain;
I am the Voice that always is calling you,
I am the Voice
The Voice- Celtic Woman






A sobrinha de um grande amigo se interessou pela Velha Arte. 

Hoje ele me pediu para emprestar um livro nível iniciante, que aliás era dele! Meu coração explodiu de amor,pela oportunidade de ajudar uma caminhante que está interessada e bem orientada.  Eu dei o livro porque é para isso que eles servem, para circular por aí.


Não nego: não tenho a mínima paciência para quem está começando nos dias de hoje. As pessoas se tornaram preguiçosas, acomodadas e dependentes e suas almas ainda estão domadas. E às vezes eu me encaixo nesse padrão, não sou perfeita. Porém esse caso, vindo de quem veio, despertou um comichão em mim, que aliás, está me perturbando há uns dias.

Tenho uns posicionamentos meio confusos  perante as pessoas que se dedicam a instruir os jovens caminhantes.  Ora acho que eles perdem tempo, ora os acho verdadeiros mestres na arte da  paciência . Além de terem fé no outro, é claro. Nunca instruí ninguém, eu só escrevo ou falo o que penso e nem sei se isso faz alguma diferença no mundo fora de mim. Mas,tenho pensando nas boas possibilidades que o mundo sem  fronteiras nos oferta neste momento tão frágil .

Não estou pensando em formar grupos de estudos ou coisas do tipo. Não tenho menor traquejo para ser professora/orientadora. Só tenho pensando em como ajudar essa moçada que está cada vez mais frágil e perdida num mundo repleto  de possibilidades e ilusões. Talvez através da página do Facebook, divulgar eventos, cursos e grupos de estudos que eu realmente conheço e confio, seja um passo. Não sei.

Sinto que o momento é para suavizar a dureza das coisas. Quem tem uma visão mais ampla de espiritualidade pode (e deve) acalmar os ânimos ao seu entorno e mostrar possibilidades de ação. Isso não é carregar ninguém no colo, as escolhas são pessoais, inclusive a escolha de carregar ou não.  Não recomendo que se carregue ninguém, que fique claro! Ensinar a pescar é o lema que não deve ser perdido!

Enfim, deixei um bilhete dentro do livro que essa mocinha ansiosa em breve começará a ler. E espero sinceramente que seu espírito continue indomado, independente se ela abraçar a bruxaria ou não. Tendenciosamente, porém em silencio, torço para que ela seja mais uma a agregar na trilha sagrada! Mas racionalmente, só espero que ela cresça sabendo quem é, o que quer e como agir no mundo.

O chamado ainda é ouvido por aí.



domingo, 4 de março de 2018

A hora da Bruxa




Percebo que os ventos de outono estão a deixar a nossa folhagem velha cair definitivamente.

Muitas de nós sumiram nas brumas , caminhando por sendas diversas, lutando batalhas solitárias, se afastando, silenciando. Vez ou outra, conversas durante esse hiato geral. Angústias compartilhadas e a certeza que o silêncio era necessário. Afastamento.  Foi o tempo de retração.

Percebo desde o auge do Verão que muitas de nós estão num momento de planejamento de ação, repensar caminhos, tirar a poeira dos instrumentos e treinar as mãos e a voz. Há no ar uma vontade de ação.

E há entre os mundos, a necessidade urgente de ação.

Percebo um movimento sutil de expansão entre as caminhantes, que lavam seus instrumentos com água sagrada, pintam novamente os rostos, erguem novamente seus altares. As vozes voltam a ser firmes e o ofício volta a ser exposto. Cada qual com seus planos, cada qual com seus caminhos e credos e  todas unidas pelo mesmo propósito.

Sinto meu coração queimar pelo afeto recebido e pelo respeito conquistado. Não posso mais negar meu poder e não posso mais deixar o meu lugar vago no círculo. Ela novamente me chama. Olhos para os lados e vejo rostos conhecidos, que satisfação reconhecer enfim quem está comigo.

A força dos ventos de outono leva a última folha do meu passado. Varrem minha alma e eu me entrego sem pesar. Preciso e quero seguir em paz. De alívio, danço. Danço como quem acaba de nascer. (Re) nascida sigo meu passos num novo caminho, numa nova paisagem. Piso firme, planejando para que o inverno organize minhas ideias.

Nesse outono serei grata incansavelmente a todos os ventos que limparam o chão da minha vida e a todas as sacerdotisas que me ajudam quando mais preciso de apoio.

E então deixei cair o meu passado pelo abismo do esquecimento, pendurei meus fracassos como as mais lindas medalhas, usei minhas cicatrizes como manual para me tornar forte, me desobriguei de rancores e desilusões, me vesti de esperança e ao fim... pude ser livre .

Kelbin Torres

terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

O Vazio do Todo




Existe uma prática muito comum dentro do paganismo que é o uso de imagens de nossos deuses em altares e rituais . Existem imagens lindíssimas por aí, daquelas de cair o queixo e doer o bolso...ahh e como existem! O intuito aqui não é falar o que a imagem/estátua significa de maneira geral, sobre isso existem textos maravilhosos na Web.

Percebo em mim um sentir completamente diferente da maioria. De repente me dei conta e aceitei que eu não gosto de usar imagens nem em ritos, nem em altar de trabalho e nem em nada. Tenho imagens? Algumas. Mas,aquela ânsia de outrora, de possuir em casa as imagens dos meus Deuses mais queridos, de representações físicas deles, desapareceu. Não procurei investigar o motivo e sim aceitar e lidar com essa ausência.

Segui o meu caminho.

A sensação que tenho é de liberdade.

Tenho um compromisso muito sério, um voto selado com Divindades do Egito e todo esse novo pensar/sentir no início me incomodou muito por conta desses votos. Até que percebi que meu maior voto é para uma divindade que nada mais é que o próprio sol. E isso meus amigos, é de uma imensidão infinita e absurdamente abstrata. E comecei a partir dessa compreensão, um caminho muito interessante e que até pouco tempo pensava ser só meu.

Graças a todos os deuses, nós temos internet e nela descobri um caminho muito sui generis dentro da bruxaria que pensa e trabalha exatamente como eu. E que sensação maravilhosa devorar informações que enfim, eu entendo!!!!

Sem nomes e reverenciando forças muito mais antigas que os próprios nomes, tento dia após dia, me conectar com essa encruzilhada sem forma. Mergulho acordada, no mais profundo de mim e me vejo sem esses apetrechos que adquiri ao longo do tempo, da vida, da existência. Saber da existência de caminhos antigos que provavelmente meus antepassados de nome em algum momento esbarraram ou percorreram. Desvendar as névoas que ainda encobrem meus olhos de lá, aceitar minhas limitações, fazer minha parte dentro do nobre ofício, reverenciar essas forças que se apresentaram de maneira sutil e certeira em momento inesperado. É o que busco fazer todos os dias.

Poético você deve estar pensando.

E por que não? - eu lhe respondo.

Entendi que preciso e devo ter o meu modus operandi, mas sem ser inocente. E tenho todo o tempo para isso. Preciso me desconectar de tudo o que não deu certo e me assumir como buscadora.

Confiar .

Não gosto mais da ideia de uma imagem formatada. As coisas que sinto não possuem rosto/corpo. Eu gosto de sentir, de ver com a pele e com o espírito. É como se uma imagem não fosse mais suficiente para me conectar. Tornou-se algo supérfluo para o meu caminhar. Vejo discussões infinitas sobre imagens, as mais bonitas, as desejadas, as muito esperadas e tudo me parece um som distante de um mundo que não é meu. É como flutuar e ver tudo bem longe...

Eu tenho me sentido bem com o externo da minha casa, repleta de companhias  e de coisas que vou magicamente construindo.


Abandonei as imagens porque eu sou minha própria divindade.

domingo, 18 de fevereiro de 2018

Uma carta para mim mesma


       

Minha querida,
        
Escrevo-lhe por saber que vc não está em seus melhores dias. Escrevo-lhe para lembrar que sim, tudo passa e esse momento que lhe aprisiona em que escolhas não lhe são dadas, também passará. Lembra qdo o bebê chorava e vc achava que aquilo nunca teria fim? Lembra das longas horas de amamentação nas madrugadas sem fim e vc achava que aquele bebê mamaria para sempre e que vc nunca mais ia dormir na vida? Ali também não havia escolha e tudo acabou passando. Tudo passa, não se esqueça disso. Eu sei, eu sei, é fácil falar daqui onde estou, mas é deste lugar que posso vislumbrar que vai passar. Lembre-se, vc não está só. Vc é amada!  Apegue-se a essas pessoas que estão contigo nesses momentos: A amiga que lhe lê as cartas e faz suas tardes felizes. A amiga que lhe leva para beber para vc desopilar a mágoa. Aquela psicóloga que lhe dá o direito da voz da raiva. Tanta gente!! O amor da tua vida que segura as suas mãos qdo vc chora de desespero e escuridão.  Tudo é legitimo no seu sentir! Então não se esqueça e se apoie! Lembre-se que vc é seu próprio lar. Chore,chore muito. Chore de raiva,chore de dor, mas chore. Não guarde a dor,pois como disse a poeta: palavra presa é tumor. E lágrimas também. Nós não queremos adoecer. Pinte suas cores, pinte suas telas e transforme toda sua dor. Mesmo que ninguém veja, pinte. Pinte a dor como Frida pintou. Escreva compulsivamente. Faça sua magia. Vc sabe que esses para vc são seus melhores momentos de poder. Faça tudo o que lhe digo com dignidade. Mesmo qdo vc se descabela, vc é digna. O não expressar é uma indignidade, não se esqueça. Vc sobreviveu há tantas coisas duras em 41 anos e vai sobreviver a mais uma. Vc nunca desistiu nem em pensamentos. Permaneça firme,eu estou aqui com vc sempre. Confia. Vai acabar pq está escrito assim e vc sabe.Eu te amo por toda essa força da natureza que vc é e por esse sol que brilha em vc inteira. Que essa palavras selem o seu nome caminho. Eu sou a pessoa que vc sempre buscou.




quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Sussurros



Mais uma manhã de sussurros. Acordo com a sensação de que vaguei demasiado, falei demasiado e ouvi bastante coisas. Acordo com a sensação de que mais um item foi colocado em minha bolsa, que mais um ensinamento foi compreendido. Porém, se pedirem para que eu diga tudo o que sinto depois do sussurro, com palavras audíveis, eu não saberei fazer. Não sei explicar, mensurar, contar.

Por vezes penso que é apenas a minha imaginação.

Mas há uma parte de mim que sabe, que sente, que crê.

Há dias que ainda não sei quando se dão num padrão, que a minha voz fala por conta própria,com a propriedade de séculos de estudos e experimentações. Há vezes que minha voz se levanta e diz não, quando todos dizem sim. Há momentos que minha voz é assertiva em suas colocações e eu vejo as pessoas fugirem de medo. Mas sei que essa voz diz a verdade. Eu sei. De repente muitas coisas eu simplesmente sei ou simplesmente compreendo como quem relembra algo há muito esquecido e não tocado pela memória. E a mente racional insiste em indagar como eu sei o que sei.

 Há momentos que me sinto muito só nesse sentir. Quando tento dizer, vejo cabeça balançando em concordância e almas se fechando em discordância. Eu vejo.

Olho para os lados e me parece que todos dentro do Caminho, sabem o que estão fazendo e sinto que eu esteja brincando com coisas que não entendo. Sei que é o racional querendo sempre se sobressair e que no momento do Sussurro é hora de abandonar tudo.

 Humana, demasiado humana eu sou.

Há que se deixar essa humanidade de lado por um momento e receber o sussurro até que ele se torne audível. Mas sei que é o sussurro quem decide se gritará ou não.

Sinto-me um receptáculo.

Sinto-me velha num sentido bom da palavra. Uma velha encarquilhada pelo tempo de sono e que precisa falar. Mas quem ouvirá?

Nas manhãs de sussurro, acordo com dúvidas e com certezas, acordo com uma mistura de sentimentos que não podem mais serem varridos para debaixo do tapete. Num mundo onde tantos têm sonhos lúcidos, palpáveis e cheios de enredo, cores, movimento; eu acordo apenas com sussurros frágeis como fumaça de incenso. E o corpo que queima por um reconhecimento de algo que não sei nomear.

Ontem antes do sussurro de hoje, sentei e meditei. Quantos anos não faço isso? Foi diferente, foi poderoso e foi rápido. Estou só como nunca estive antes e essa solidão não me dói. Ela me abraça. O sussurro pede, eu faço.

Talvez seja bobo da minha parte, mas eu só gostaria de saber: o que é e de onde vem esse sussurro e por que comigo é assim.....


Abraço o sussurro. Abraço a mim. Abraço o que não conheço. É isso o que eu tenho. Aceito.

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

Quando Ela fala



Essa noite eu tive um sonho curioso e não é a primeira vez que ele aparece para mim. Sei que esse sonho veio por conta de questões que estão martelando na minha cabeça desde o ano passado e que resolvi encarar mesmo temendo. Sei que esse sonho veio por conta das minhas jogas de tarot para mim mesma e do tanto que as cartas tem batido nessa tecla. Mas sei também que, essa é a forma que os meus eus ( que tenho buscado) tem encontrado de me alertarem de coisas.

Sonhei que Aset (Ísis,a Deusa) estava me ensinando a maquiar os olhos. Eu já nem sei quantas vezes já sonhei com isso! Dessa vez Ela era tão enfática que nem dava pra argumentar. Ela abria minha pouca maquiagem e me ensinava como fazer uma coisa rápida nos olhos e ainda pergunta o motivo de eu não fazer isso diariamente já que não tomava tanto tempo. Ora, assim como Ela eu sou rainha e mãe, fora a vida bruxa, então por que não? Contando assim é até engraçado, mas o tom dela é irrefutável!

E com isso eu fico pensando no que fazer comigo mesma. Tem tanta providencia física para eu tomar que nem sei por onde começar. Preciso trazer para o corpo o ritmo das minhas mudanças internas mas, confesso que a minha vida está tão burocrática com o final da UFES que não está sobrando muito tempo. Eu não sou multitarefa, não sou o tipo de pessoa que consegue fazer mil coisas no dia e dormir feliz 4 horas por noite. Talvez na próxima vida, nessa não deu para ser assim! Uma coisa é certa: preciso me cuidar mais e principalmente da minha saúde pois corpo e mente precisam estar em sintonia.

Outra coisa que o sonho me despertou foi a recordação do Oráculo de Aset desse ano: “A vocês é dado o Agora. O que vocês fazem do Agora está em suas mãos fazer. Façam-no, então, plenamente e com todo o amor que possuem."


Uma coisa é certa: assim que eu assinar o papel da colação de grau, tudo me será devidamente cobrado, pois a licença chega ao seu fim. Espero ter firmeza para me manter em pé.